Zizo




José Maria de Lima Filho(Zizo), nasceu no Zumbi, bairro do Recife no ano de 1949.Começou a escrever poesia nos anos 70 e a publicá-las a partir de 75. Em 76, já iniciava alternativamente sua carreira na linha de jornalzinhos ou jornalzine com seus próprios desenhos. Nesse meio tempo, trabalhou no Jornal da Semana, na Livro 7, na UFPE e no Jornal Universitário, onde ilustrava as matérias. A partir daí, começou a fazer jornais alternativos-marginais com parceiros como: Caesar Sobreira, Assis, Wilson Vieira e depois, por conta própria, o hoje tão famoso e barulhento CAOS.

Fonte:Coletânea Poética Marginal Recife II




À poesia
Zizo

A poesia doma a alma
Torna-se sumo à palma
E dorme conforme a pausa.

A poesia ruma à musa
Adorna-se rima, nos usa
E tarde confirma a causa.

Ah! Esta arte, toda parte
Cuja fuga é fogo, é marte
Quando o poeta vive e cria.

Ah! como fome, como vida
Nada-tudo é jogo, é tida:
Serena fonte livre e fria.




Sobre a arte
Zizo


A arte aspira ou conspira
diz da flor ou de mera ira
é a morte mais vivida.
A arte altera ou alterna
diz da alma ou a inferna
é a sorte mais contida.
A arte ostenta ou intenta
diz do vento ou inventa
sua porta à mentira.
A arte conversa ou converte
é diversa e diverte
se comporta, se pira.




Paraíso 
Zizo

confino-me em meu deserto:
um quarto farto do monge alerto
quando é paraíso eu comigo.
afino-me ao ato criativo:
um papel parto no longo motivo
em cujo improviso viso abrigo.
defino-me em esmo absoluto:
penso, escrevo, morro resoluto
no além-viver doutra esfera.
inclino-me à santa vã poesia:
faço-me filósofo nessa heresia
onde sete palmos, palma espera.




Delírio supremo
Zizo

Quando sobre ti, sobra tal culto
onde a noite, é obra, cio oculto
desvia-se o silêncio, vem o vento.
Quando sobre ti, sombra é vulto
vive o tempo, a arte, o insulto
desfia-se o segredo: nu invento.
Tuas mãos macias confiam desafio
de denúncias - fibras por um fio
aí, exprimes o macro desejo.
Nuas mãos vicias, confinas conflito
te delicias - febre delito
aí, suprimes o sacro festejo.




Espelho
Zizo


Sofro a morte, em mim, nascimento
vivo a arte, enfim, meu momento
sou o amor, apenas como invento.
Nada-se em mim, causa-me vão orgulho
sou cada vez mais, sombra, entulho
sobra-me a alma, em voz o barulho.



Mil pronúncias
Zizo


Ela mira e mora onda
é musa, venus, Gioconda.

Estou nu em minúcias.
Sinto em seu olhar
                       mil pronúncias.
Cumpre-se nossa astréia:
cúmplice, é ela, medéia!




4 comentários:

  1. A poesia do Zizo me apaixona. De consistência fantástica. O poeta é lógico e consciente em suas divagações. Sabe onde pisa. Sou fã desde quando o conheci no Cac no início dos anos 80.

    ResponderExcluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. Arruma um contato com o zizo porque ele não aparece?

    ResponderExcluir